
Congele-se esta noite e fique do meu lado mesmo que morra de frio, mesmo que isso não seja nem um terço dos sacrifícios da minha parte por você. Lembro-me de como o sangue corria em minhas veias e que hoje por elas apenas ele lentamente passa. Recordações de ponto de ebulição em minhas arterias, quando seus olhos abraçaram os meus há algum tempo atrás. Olhos que diferiram dos outros por invadir a imensidão da minha alma, enxergando o meu verdadeiro eu, ponto que jamais imaginei que alguém pudesse se encantar. O relógio girou diversas vezes e eu não pude ver, meus olhos se encontravam como no princípio, vazios. Uma paisagem limpa, sem nenhuma sombra diante daquele sol. Em minhas narinas uma suave essência desconhecida. Na imensidão do meu olhar, um grande buraco, aquele de sempre, mas que havia sido ocupado pelo brilho dos teus olhos de forma abundante, numa competição de luminosidade. Essa batalha ocular me deixou cega; cega a tudo, menos a você. Na minha imensidão perdida - que um dia foi resgatada por você -, estava lá, "eu" cada vez mais complexa, a cada dia diferente aos teus olhos por estar subitamente apaixonada. A minha complexidade havia se tornado em uma longa distância entre você e eu, que de tanto você correr no intuito de não me perder, só a fazia aumentar, a exigir, a cobrar pressa, a te cansar. Estou retratando minha cegueira nas linhas dessa carta. Cegueira que levou consigo meu sangue, esvaziou o meu intestino, me deixou aos ossos e destruiu todo aquele encanto que irradiavam teus olhos. Olhos que agora tentam me ver embaixo dessa mármore.
Adeus.

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